13/03/2017 - Notícias CNPC

Aftosa: fim da vacinação está próximo

A estratégia para a retirada da vacinação contra a febre aftosa de uma área que comporta 80 milhões de cabeças de bovinos a partir de novembro de 2018 será detalhada em abril, em Pirenópolis, GO, durante a reunião anual da Comissão Sul-Americana da Luta Contra Febre Aftosa (Cosalfa). A proposta de parar de vacinar, anunciada em fevereiro pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, agitou o setor produtivo, que reivindica há tempos essas mudanças.

Segundo o vice-presidente de Relações Internacionais do Conselho Nacional de Pecuária de Corte (CNPC) e presidente do Grupo Interamericano para Erradicação da Febre Aftosa (Giefa), Sebastião Guedes, a mudança do status nacional para livre de aftosa sem vacinação já não era sem tempo. “Muitos países vizinhos ostentam este título”, disse ele, citando Chile, Guiana e Peru, que estão com praticamente 100% do território livre, além do Sul da Argentina, “mesmo tendo começado a erradicar a doença 20 anos depois do Brasil”, diz.

Inácio Afonso Kroetz,diretor-presidente da Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná) e presidente do Fórum Nacional dos Executores de Sanidade Agropecuária (Fonesa), compartilha da mesma opinião.”Sem dúvida a medida é acertada. Até considero que no momento deveríamos estar pleiteando o status de Livre de Febre Aftosa sem vacinação para o todo o País, e não apenas a retirada gradual da vacina, o que já deveria ter acontecido há mais tempo”, afirma.

O Paraná tem investido no fortalecimento da defesa agropecuária através de melhorias e construções de postos de controle do trânsito agropecuário, investimentos em capacitação de pessoal técnico, aquisição de equipamentos e sistemas informatizados, e, segundo Kroetz, há uma expectativa de que o estado conquiste o status de livre de aftosa em 2018. “Havendo essa retirada gradual da vacina por iniciativa do Mapa nos Estados mais adiantados no processo, formando regiões cujas características das cadeias produtivas indicarem que haverá menor impacto negativo nas relações comerciais interestaduais, o processo de suspensão da vacinação contra febre aftosa poderá se vantajoso para nós”, estima.

Mercados valorizados

A continuidade da vacinação, segundo Guedes, prejudica o País porque onera o produtor, que fica com os custos do processo, e impede o Brasil de acessar mercados livres de aftosa, como o Japão, que chegam a pagar até 25% mais pelos cortes bovinos. “Cerca de 92 milhões de bovinos no Brasil estão em regiões nas quais não se registra a doença há mais de 20 anos; 63 milhões, em regiões sem focos há mais de 15 anos, e 50 milhões, em áreas sem a doença há mais de dez anos”, afirma Guedes, que cita, também, a proposta de redução da dose de vacina de 5 para 2 mililitros, além da retirada do vírus tipo C da composição do produto. “Já apresentamos dados que comprovam que o animal perde de 2 a 3 quilos de peso por inflamações causadas pelo excesso da dose e pela falta de manejo adequado na hora da aplicação”, diz.

Fonte: DBO

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