06/02/2018 - Notícias CNPC

Problemas de abscessos e reações vacinais exigem providencias

A retirada da vacinação trará qualidade ao consumidor e menores custos aos criadores e frigoríficos.

O Conselho Nacional da Pecuária de Corte (CNPC) ao lado de diversas entidades de criadores tem debatido muito este persistente problema, que agora ultrapassou nossas fronteiras. Não é justo que criadores que investiram em genética, nutrição, sanidade animal e a indústria frigorífica que desde o fim do século passado deu ao país a maior e melhor infraestrutura frigorífica do mundo venham a sofrer com estas ocorrências que queimam nossa imagem. O problema gerado com a suspensão das compras de carne bovina in natura, por parte dos Estados Unidos e agora com reações da China, decidida a intensificar inspeções, pode começar a ser controlado com algumas medidas simples por parte do MAPA, tais como: proibição da vacinação contra febre aftosa por via intramuscular, proibição da adição de saponina na vacina, e investimentos na extensão rural, pois se um fator pode ser também a falta de cuidados na vacinação, este é resultante da falta de investimento em extensão rural. Todos sabemos que a mão de obra no campo mudou muito em passado recente, e a indústria de vacinas, que desfruta de um mercado tranquilo, onde a obrigatoriedade de compra do produto não exige publicidade, poderia investir algo na divulgação de boas práticas de vacinação e também esclarecer as medidas para evitar aumentos de abortos na inseminação artificial a tempo fixo (IATF).

A via intramuscular, muitas vezes recomendadas para ser de aplicação profunda, certamente concorre para esconder reações inflamatórias ou abscessos em massas musculares, onde haverá necessidade de mais tempo e mão de obra para descobrir estas lesões, fatiando músculos. A toalete nos frigoríficos causará acentuados prejuízos aos criadores e custos adicionais aos frigoríficos, além de desgastar a tão salutar parceria entre estes dois elos da cadeia da carne. A via subcutânea pode causar a reação inflamatória ou abscessos menores e de fácil localização na toalete. Se o criador tiver animais finos ou de alta linhagem, poderá usar a via ísquio-retal, aplicando a vacina ao lado da inserção da cauda. Trabalhos efetuados por pesquisadores do PANAFTOSA há décadas demonstram a eficiência desta via.

A saponina deve ser eliminada da composição da vacina. Quando o PANAFTOSA desenvolveu a vacina oleosa não recomentou esta adição.Inúmeros trabalhos na literatura científica mostram que seu uso principalmente pela via intramuscular pode levar a abscessos, inclusive assépticos, isto é sem agentes contaminantes externos, mas causados por sua capacidade de provocar reações pós vacinais nos tecidos periféricos.Trabalhos apresentados por pesquisadores no VII Seminário Internacional de Controle da Vacina Antiaftosa, realizado no PANAFTOSA em setembro de 2001, citam especificamente estas reações. A saponina foi adicionada à vacina oleosa com o intuito de antecipar a data de avaliação da potência da mesma. Este teste deveria ser feito após 56 dias da aplicação mas a industria por razões de capital de giro desejou antecipar para 28 dias. Com a capacidade instalada de nosso parque fabril, testes com 56 dias não causarão problemas de abastecimento e devem ser implementados até que se tenha a retirada total da vacinação.

O MAPA deveria reanalisar seus protocolos de aprovação das vacinas e procurar reduzir os problemas que implicam em mais perdas aos criadores. Sugiro que os experientes profissionais do MAPA e do PANAFTOSA analisem estes fatos, pois em pelo menos cinco reuniões nos anos de 2013 e 2014 na FAMASUL as firmas nem aplicaram as vacinas para verificar eventuais diferenças entre elas. Seria interessante comparar a tolerância das diferentes marcas e eventualmente checar os componentes das mesmas.

O MAPA pretende reduzir o voluma da dose de 5 para 2 ml e retirar o vírus C, o que pode permitir reduzir a massa antigênica. Estas adequadas medidas propiciarão melhoria nas reações. Outro ponto para reflexão será analisar se os parâmetros usados para aprovar vacinas no Brasil são diferentes daqueles recomendados pelo PANAFTOSA ou os usados na Colômbia, Paraguai e Argentina.

No entender de diversas entidades e do fórum realizado pelo CNPC, esses seriam os primeiros passos, mas devemos continuar com o programa de retirada da vacina contra aftosa no nosso país.

Para boa parte dos pecuaristas brasileiros, os argumentos para retirada da vacina são fortes: o Brasil já possui um rebanho de 118 milhões de cabeças que não apresenta focos da doença entre 20 anos e 24 anos.

Outros estados entre 15 anos e 20 anos sem focos atingem 41 milhões de cabeças. Além disso, o PANAFTOSA afirma que após 4 ou 5 anos sem focos pode-se prescindir da vacina.

O foco que a Venezuela causou à Colômbia esta há mais de 600 km distante de nossa fronteira e não devemos permitir que se procure fazer analogia com nosso país e difundir receios aos nossos produtores! Nossa divisa com Colômbia tem muitas barreiras naturais e escassa presença de bovinos em ambos os lados da fronteira. Com Venezuela só temos um ponto de passagem e bem controlado pelo Brasil, além do mais a República Bolivariana da Venezuela é apenas importadora de carne e de bovinos.

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