Vacina contra aftosa e desempenho da IATF

CNPC relembra resultados de pesquisa divulgada há um ano, que alerta para relação entre os eventos

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Com a volta das chuvas e a melhora gradativa das pastagens, o produtor se apressa em colocar suas fêmeas em estação de monta. O início do manejo, no entanto, coincide com a segunda etapa de vacinação contra a febre aftosa, obrigatória para todas as categorias em quase todos os Estados durante o mês de novembro. O que seria tão somente uma mera coincidência tem se tornado uma ameaça à fertilidade do plantel.

Estudo conduzido por oito pesquisadores na Fazenda Siriema, em Miranda, MS, concluiu, em 2015, que os animais vacinados no 30º dia após a IATF tiveram perda gestacional 4,2 vezes superior quando comparados ao grupo vacinado 20 dias antes de passar pela inseminação. Ou seja, a vacinação feita após o manejo derrubou a fertilidade das fêmeas em 16,5%.

Para Sebastião Guedes, vice-presidente do Conselho Nacional de Pecuária de Corte (CNPC), é preciso fazer uma alerta so

bre o risco. “Os fornecedores de vacina têm obrigação de informar os criadores do efeito negativo que a vacina contra a aftosa pode provocar quando aplicada após a IATF”, diz.

Calendário de vacinação – A Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso (Famato) conseguiu uma vitória importante nesse quesito. A partir de 2017 o calendário de vacinação contra a febre aftosa no Estado será invertido.

Em maio a vacina será aplicada no rebanho de mamando a caducando, enquanto em novembro serão vacinados apenas os animais de 0 a 24 meses. Como a maioria das fêmeas entra em idade reprodutiva acima de dois anos, reduz-se o risco da vacinação coincidir com o manejo reprodutivo, o que pode comprometer os índices de prenhes, como mostrou o estudo.

“Outras federações deveriam seguir o exemplo da Famato e pleitear, junto ao Ministério da Agricultura, alterações em seus respectivos calendários de vacinação. Certamente reduziriam os problemas de perda gestacional decorrente da vacina contra aftosa”, afirma Guedes.

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