05/11/2016 - Doenças

FEBRE AFTOSA

ETIOLOGIA

Classificação do agente etiológico

Vírus da família Picornaviridae, gênero Aphthovirus.
Sete sorotipos imunologicamente distintos: A, O, C, SAT1, SAT2, SAT3, Asia1

Resistência a agentes físicos e químicos

Temperatura:
Preservado por refrigeração e congelamento e progressivamente inativado por temperaturas superiores a 50°C

pH:
Inativado a pH <6,0 o >9,0

Desinfetantes:
Inativado por hidróxido de sódio (2%), carbonato de sódio (4%), e ácido cítrico (0,2%). Resistente aos iodóforos, aos compostos quaternários de amônio, hipoclorito e fenol, especialmente na presença de matéria orgânica

Sobrevivência:
Sobrevive nos gânglios linfáticos e na medula óssea com pH neutro, mas se destrói nos músculos a pH <6,0, ou seja depois do rigor mortis. Pode persistir em forragem contaminada e no meio ambiente até um mês, dependendo da temperatura e do pH

EPIDEMIOLOGIA

? Uma das enfermidades animais mais contagiosas, que causa importantes perdas econômicas
? Baixa taxa de mortalidade em animais adultos, mas é freqüente uma alta mortalidade nos jovens devido à miocardite

Espécies Susceptíveis

? Bovídeos (bovinos, zebus, búfalos domésticos, yaks, ovinos, caprinos) suínos, todos os ruminantes selvagens e suídeos. Os camelídeos (camellos, dromedários, lhamas, vicunhas) apresentam baixa suscetibilidade.

Transmissão

? Contato direto ou indireto (infecção por aerossol)
? Vetores animados (humanos, etc.)
? Vetores inanimados (veículos, artefatos)
? Virus aerotransportado, especialmente em zonas temperadas (até 60 km sobre a terra e 300 km sobre o mar)

Fontes de virus

? Animais em período de incubação e clinicamente afetados
? Ar expirado, saliva, fezes e urina; leite e sêmen (até 4 dias antes dos sintomas clínicos)
? Carne e produtos derivados em que o pH se manteve acima de 6,0
? Portadores: em particular os bovinos e o búfalo aquático; animais convalescentes e vacinados expostos (o vírus persiste na orofaringe até 30 meses nos bovinos o mais tempo no búfalo, 9 meses nos ovinos). O búfalo do Cabo africano é o principal hospedeiro de manutenção de sorotipos SAT

Distribuição geográfica

A febre aftosa é endêmica em partes da Ásia, África, do Oriente Médio e América do Sul (focos esporádicos em zonas livres da doença)

Para mais informações sobre a distribuição geográfica ver os últimos números de Sanidad Animal Mundial y el Boletím da OIE.

DIAGNÓSTICO

O período de incubação é de 2-14 dias

Diagnóstico clínico

Bovinos

? Pirexia, anorexia, calafrios, redução da produção de leite durante 2-3 dias, logo:
– estalar de lábios, ranger de dentes, baba, coceira, sapatear ou escoicear: causados pelas vesículas (aftas) nas membranas das mucosas bucais e nasais e/ ou entre as unhas e a faixa coronária
– depois de 24 horas: ruptura das vesículas, que leva a erosões
– também podem aparecer vesículas nas glândulas mamárias
? A recuperação pode se fazer em um prazo de 8-15 dias
? Complicações: erosões da língua, infecção secundária das lesões, deformação dos cascos, mastite e diminuição permanente da produção de leite, miocardite, aborto, morte de animais jovens, perda de peso permanente, perda do controle térmico

Ovinos e caprinos

? As lesões são menos pronunciadas. As lesões nos pés podem passar despercebidas. Lesões nas almofadas dentárias dos ovinos. A agalaxia é característica em ovinos e caprinos leiteiros. Morte dos animais jovens

Suínos

? Podem desenvolver graves lesões nos pés, sobretudo quando se encontram em locais de concreto. É freqüente uma alta mortalidade nos leitões.

Lesões

? Vesículas ou ampolas na língua, almofadas dentárias, gengivas, bochechas, parte dura e mole do palato, lábios, narinas, focinho, faixas coronárias, tetos, úbere, focinho dos suídeos, córion dos esporões e espaços interdigitais
? Lesões post-mortem nos pilares do rúmen, no miocárdio, particularmente nos animais jovens (coração tigrado)

Diagnóstico diferencial

Clinicamente indistinguível:

? Estomatite vesicular
? Enfermidade vesicular do suíno
? Exantema vesicular do suíno

Outros diagnósticos diferenciais:

? Peste bovina
? Doença das mucosas
? Rinotraqueíte infecciosa bovina
? Língua azul
? Mamilite bovina
? Estomatite vesicular bovina
? Diarréia viral bovina

Diagnóstico de laboratório

Identificação do agente

? ELISA
? Prova de Fixação do Complemento
? Isolamento do vírus: inoculação de células primárias da tireóide de bovinos e células primárias renais de suínos, bezerros e cordeiros; inoculação de linhas celulares BHK-21 e IB-RS-2; inoculação em camundongos

Provas sorológicas

ELISA

Prova de neutralização viral

(provas prescritas no Manual)

Amostras

? 1 g de tecido de uma vesícula intacta ou recentemente aberta. Colocar as amostras epiteliais em um meio de transporte que mantenha um pH de 7,2-7,4 e conservá-las frias.
? Líquido esofagofaríngeo coletado mediante uma sonda esofágica

Congelar as amostras da sonda esofágica abaixo de -40°C imediatamente depois de sua colheita

NB!!

Requerem-se precauções especiais ao enviar material perecível presumivelmente infectado por febre aftosa dentro dos países e entre eles.

PREVENÇÃO E PROFILAXIA

Profilaxia sanitária

? Proteção de zonas livres mediante controle e vigilância dos deslocamentos de animais nas fronteiras
? Vacina com vírus inativados que contém um adjuvante
? Sacrifício de animais infectados, recuperados e de animais susceptíveis que entraram em contato com indivíduos infectados
? Desinfecção dos locais e de todo o material infectado (artefatos, veículos, roupas, etc.)
? Destruição dos cadáveres, dos resíduos e dos produtos de animais susceptíveis na zona infectada
? Medidas de quarentena

 

Publicada Em: 01/01/2001
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